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Sábado, 19 de fevereiro de 2005
 
Opinião
Tsunamis podem ocorrer no Brasil?

Eduardo Frigoletto

 

 

Antes da tragédia ocorrida final de dezembro de 2004, a palavra tsunami era praticamente desconhecida dos brasileiros e de boa parte dos outros povos do ocidente.

 

A junção das palavras “tsu” que significa “porto” e “nami” que significa “onda, mar” resulta na expressão criada pelos japoneses que são acostumados a sofrer com tremores de terra, maremotos, furacões etc.

 

Quanto ao seu surgimento, a teoria diz que os continentes estão sobre doze placas gigantescas que por sua vez estão boiando sobre rochas derretidas (magma). Na medida em que uma placa se afasta da outra, ela se aproxima de uma terceira. Quando há o choque entre placas ocorrem os tremores de terra. Quando isso ocorre no fundo dos oceanos, o resultado são as tsunamis.

 

Em agosto de 1883, uma tsunami com aproximadamente 35 metros de altura atingiu o Oceano Pacífico depois da entrada em erupção e posterior desabamento do vulcão Krakatoa. Para se ter uma idéia, essa é a altura de um edifício de 10 andares.

 

Caso uma onda dessa magnitude atingisse o litoral alagoano, simplesmente arrasaria os bairros da parte baixa de Maceió (Jatiúca, Pajuçara, Ponta Verde, Jaraguá, Trapiche da Barra etc) e as demais cidades litorâneas como por exemplo: Barra de São Miguel, Maragogi, Paripueira e Barra de Santo Antônio.

 

A tsunami que atingiu recentemente a Ásia atingiu 9º na Escala Richter, sendo o 5º maior tremor de terra desde o ano de 1900, cerca de 10 metros de altura, incríveis 1000 quilômetros de extensão e viajou a 800 km por hora. A energia produzida pelo fenômeno fez com que ilhas “andassem” cerca de 20 metros, a linha do equador se reduzisse em um milímetro, encurtou a duração do dia em 3 milésimos de segundo além de ter deslocado o eixo imaginário de rotação da Terra em seis centímetros.

 

O número de mortos é estimado em 300.000. O fenômeno ocorreu pelo choque de duas placas tectônicas – a australiana e a da eurásia e, só na Indonésia, cerca de 1.100 corpos são encontrados por dia nos escombros e, muitos mortos nunca serão encontrados.

 

Nesse caso, o que mais chama a atenção é a exclusão social que aumentou muito o número de mortos. Bastaria um sistema de detecção e alarme para que milhares de vidas tivessem sido salvas. Em Taiwan, um tremor ocorrido em 1999 e que atingiu 7,9º na Escala Richter causou pouco mais de 2.000 mortes, devido às normas de edificação anti-sísmica adotadas naquele país. Nas Ilhas Maldivas foi construído um muro no mar para minimizar a ação das grandes ondas. É um absurdo que somente após a recente tragédia é que se fala em adotar medidas preventivas.

Mas afinal de contas, e no Brasil podem ou não ocorrer tsunamis?

 

Para nossa sorte, o Brasil está ao centro da Placa Sul-Americana que está se afastando da Placa Africana. Sendo assim, a hipótese de choque entre as placas está descartada. Entretanto o perigo real vem do arquipélago das Ilhas Canárias situado na costa ocidental da África onde na ilha La Palma existe o vulcão Cumbre Vieja que se entrar em erupção pode despejar até 500 km3 de terra o que causaria um forte impacto no Oceano Atlântico formando uma grande onda. Essa onda, viria em direção à América atingindo fortemente parte do Nordeste do Brasil, América Central e América do Norte.

 

No caso brasileiro, os estados mais atingidos seriam aqueles situados entre o Rio Grande do Norte e o Amapá. Alagoas dificilmente seria afetada.

 

Outra possibilidade remota, é a formação de uma tsunami pelo impacto da queda de um asteróide no oceano, como a que teria atingido o México há cerca de 65 milhões de anos com 1000 metros de altura. Essa onda é responsabilizada por alguns estudiosos pela extinção de boa parte da vida no planeta, inclusive dos dinossauros.

É melhor relaxar e torcer para que Deus seja mesmo brasileiro!

 

 

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