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Sábado, 18 de junho de 2005

 

..OPINIÃO

 

Migrações, xenofobia
e crescimento do racismo

Eduardo Frigoletto de Menezes


Nas últimas décadas, motivado principalmente pelo aumento das desigualdades socioeconômicas, está havendo um aumento do fluxo migratório dos habitantes dos países pobres na direção dos países ricos.

Vários desses países desenvolvidos apresentam problemas populacionais, inclusive, alguns deles, estão com crescimento vegetativo negativo (perda absoluta de população), devido às baixas taxas de natalidade e ao envelhecimento de seus habitantes, fator que gera aumento da mortalidade.

Esse conjunto de fatores faz que esses países necessitem de mão-de-obra imigrante a fim de não prejudicarem suas economias. Entretanto, a imigração, que é a solução mais viável para a manutenção econômica daqueles países, é encarada pela população local com grande receio. Uma espécie de força do mal rotula os imigrantes como bando de malfeitores, espalhados pelo país, tirando os empregos dos bons trabalhadores, violando suas mulheres, destruindo seus lares, comendo seus filhos ... que exagero!
Esse fenômeno, conhecido como xenofobia, vem crescendo e se incorporando a outros não menos condenáveis, como os movimentos racistas (Klu-Klux-Klan), neo-nazistas (Skin Heads), anti-semitismo (aversão aos judeus) e a outros conflitos étnico-religiosos.

Curiosamente, um dos países mais xenófobos é Portugal. Em 2004 aquele país definiu através do seu Instituto de Emprego e Formação Profissional, 8.500 vagas para imigrantes em seu mercado de trabalho. A burocracia fez com que ao final do ano somente 641 vagas fossem preenchidas. O mais grave de tudo isso é que a grande maioria dos recusados eram brasileiros. Sem falar nos 3.044 brasileiros barrados nos aeroportos de Portugal por problemas com os vistos de entrada. Logo o Brasil, que tão bem recebe os portugueses. Estudos indicam que somente no Ceará ali residam mais de 40.000 patrícios, sem que não haja obstáculo algum para que eles abram uma empresa.

Aliás, não é só com o Brasil que existe má vontade da parte portuguesa. Entre Portugal e Espanha a antipatia é mútua. Em Portugal existe até um ditado popular que diz: “De Espanha nem bom vento, nem bom casamento”. Quanto aos espanhóis, ficam muito ou bastante preocupados se morarem no mesmo edifício onde vivem portugueses, apesar de se preocuparem mais com os imigrantes norte-africanos (principalmente marroquinos) e latino-americanos.

Na Espanha, cidadãos argentinos vêm sendo barrados sistematicamente quando tentam para ali emigrar, apesar da existência de acordos bilaterais que estabelecem o bom entendimento entre ambos países e, haver muito mais espanhóis na Argentina (254.073) do que argentinos na Espanha (9.422), conforme apontam dados do ano de 2000. Sem falar que a Espanha foi palco de recentes manifestações racistas, quando torcedores mais exaltados xingaram o jogador Roberto Carlos de “macaquito”.

Paradoxalmente, da Argentina – país que se queixa de tratamento xenófobo por parte da Espanha - é o jogador Disábato que, durante uma partida de futebol aqui no Brasil, teria chamado o jogador brasileiro “Grafite” de “negrito de m....”. Curioso é se constatar que o apelido “grafite” também é uma alusão racista.

Na Itália, o problema chega a esfera governamental. O líder xenófobo Humberto Bossi é integrante do governo de Silvio Berlusconi e defende até o uso de tiros de canhões para barrar as embarcações que ali tentem desembarcar imigrantes ilegais. Esse fato gerou protestos até dos aliados do governo.

Pelo jeito, só com leis mais rígidas, sanções econômicas por parte de órgãos mundiais como a ONU, OMC e Banco Mundial, educação e a promoção da redução das desigualdades sociais é que poderemos reduzir esse problema.

 

 

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