Sem dúvida alguma, um dos assuntos que sempre
despertaram debates calorosos, teorias e grande preocupação foi o
crescimento populacional.
Uma famosa teoria demográfica
conhecida como Malthusianismo – elaborada no final do século XVIII
pelo Pastor Protestante Thomas Robert Malthus - defende que o grande
crescimento populacional seria a causa da pobreza por que passa boa
parte da população mundial. Em oposição, a Teoria Reformista baseada
nas idéias de Karl Marx, defende que a miséria é a causa da
superpopulação. Mas afinal, quem está com a razão?
Os teóricos
afirmam que a taxa de fecundidade “ideal” é de 2,1 filhos por
mulher. A explicação é simples: 2,0 filhos para substituir seus 2
pais que um dia irão morrer e, 0,1 filhos por mulher para cobrir a
taxa de mortalidade infantil.
No Brasil, atualmente esse
índice é de 2,3 filhos por mulher o que já está muito próximo de
proporcionar o equilíbrio populacional e, bastante próxima da taxa
dos Estados Unidos que é de 2,0 filhos por mulher. Esses números
levam nosso país a uma taxa de crescimento vegetativo anual de 1,3 %
que já está próxima de ser considerada baixa.
Ora, se a
simples redução das taxas de fecundidade significasse melhoria das
condições de vida da população, o Brasil já seria um país muito
próximo de ser classificado como desenvolvido, o que está longe de
ser realidade.
E quais seriam as causas da redução das taxas
de fecundidade na grande maioria das regiões brasileiras?
Uma
das principais é o intenso processo de urbanização por que passou o
Brasil nas últimas décadas. Ao migrar do campo para as cidades, as
pessoas passam a ter acesso a serviços públicos de saúde e educação.
Também contribuiu a difusão do acesso à Previdência Social
proporcionando através da aposentadoria, uma renda às famílias mais
carentes. Isso desestimula a idéia de que para manter os pais quando
deixassem de trabalhar seria necessário se ter um número maior de
filhos, pois deles viria a única renda familiar.
Parece
absurdo mas estudos realizados na década de 70 do século passado
indicam que as telenovelas ajudaram no encolhimento dos lares, pois
a maioria delas exibia famílias de dois filhos, constituindo-se num
padrão que acabou influenciando os casais.
Entretanto, a
redução do ritmo do crescimento populacional brasileiro com essa
aparente proximidade da “taxa ideal”, esconde graves problemas e
profundas desigualdades territoriais.
A primeira delas é que
em algumas regiões brasileiras pobres e afastadas como nos
municípios de Bagre, no Pará, a média chega a 7,3 filhos por mulher,
apesar de perder para as cidades de Tartarugalzinho e Pracuuba,
ambas no Amapá, com índices superiores. Naquele município, algumas
mulheres chegam a ter até 20 filhos durante sua vida fértil (cerca
de um filho por ano).
Outro aspecto é que as favelas
atualmente são verdadeiras bombas populacionais prestes a explodir.
O crescimento demográfico das mesmas é quase três vezes o da média
brasileira. Estudos indicam que as causas são diversas: aumento da
fecundidade, imigração, aumento da expectativa de vida, chegada de
pessoas que tiveram seu padrão de vida reduzido e, acreditem, sexo
como uma das formas principais de lazer. Esse conjunto de fatores
pode levar a população que vive em favelas a atingir preocupantes
13,5 milhões de pessoas nos próximos anos.
Se depois de todos
os argumentos acima, algum leitor ainda estiver em dúvida sobre quem
tinha razão (Thomas Malthus ou Karl Marx), sugiro uma visita a um
bairro maceioense chamado Clima Bom que é um dos mais pobres e
violentos da cidade. Fazia muito tempo que eu não via uma quantidade
tão grande de crianças pelas ruas, boa parte delas ainda usando
fraldas, além de gestantes por toda as partes.
Pelo jeito,
Marx tinha razão.