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Sábado, 07 de maio de 2005

 

..OPINIÃO


Crescimento populacional
elevado: causa ou
conseqüência da pobreza?

Eduardo Frigoletto de Menezes



Sem dúvida alguma, um dos assuntos que sempre despertaram debates calorosos, teorias e grande preocupação foi o crescimento populacional.

Uma famosa teoria demográfica conhecida como Malthusianismo – elaborada no final do século XVIII pelo Pastor Protestante Thomas Robert Malthus - defende que o grande crescimento populacional seria a causa da pobreza por que passa boa parte da população mundial. Em oposição, a Teoria Reformista baseada nas idéias de Karl Marx, defende que a miséria é a causa da superpopulação. Mas afinal, quem está com a razão?
Os teóricos afirmam que a taxa de fecundidade “ideal” é de 2,1 filhos por mulher. A explicação é simples: 2,0 filhos para substituir seus 2 pais que um dia irão morrer e, 0,1 filhos por mulher para cobrir a taxa de mortalidade infantil.

No Brasil, atualmente esse índice é de 2,3 filhos por mulher o que já está muito próximo de proporcionar o equilíbrio populacional e, bastante próxima da taxa dos Estados Unidos que é de 2,0 filhos por mulher. Esses números levam nosso país a uma taxa de crescimento vegetativo anual de 1,3 % que já está próxima de ser considerada baixa.

Ora, se a simples redução das taxas de fecundidade significasse melhoria das condições de vida da população, o Brasil já seria um país muito próximo de ser classificado como desenvolvido, o que está longe de ser realidade.

E quais seriam as causas da redução das taxas de fecundidade na grande maioria das regiões brasileiras?
Uma das principais é o intenso processo de urbanização por que passou o Brasil nas últimas décadas. Ao migrar do campo para as cidades, as pessoas passam a ter acesso a serviços públicos de saúde e educação. Também contribuiu a difusão do acesso à Previdência Social proporcionando através da aposentadoria, uma renda às famílias mais carentes. Isso desestimula a idéia de que para manter os pais quando deixassem de trabalhar seria necessário se ter um número maior de filhos, pois deles viria a única renda familiar.

Parece absurdo mas estudos realizados na década de 70 do século passado indicam que as telenovelas ajudaram no encolhimento dos lares, pois a maioria delas exibia famílias de dois filhos, constituindo-se num padrão que acabou influenciando os casais.

Entretanto, a redução do ritmo do crescimento populacional brasileiro com essa aparente proximidade da “taxa ideal”, esconde graves problemas e profundas desigualdades territoriais.

A primeira delas é que em algumas regiões brasileiras pobres e afastadas como nos municípios de Bagre, no Pará, a média chega a 7,3 filhos por mulher, apesar de perder para as cidades de Tartarugalzinho e Pracuuba, ambas no Amapá, com índices superiores. Naquele município, algumas mulheres chegam a ter até 20 filhos durante sua vida fértil (cerca de um filho por ano).

Outro aspecto é que as favelas atualmente são verdadeiras bombas populacionais prestes a explodir. O crescimento demográfico das mesmas é quase três vezes o da média brasileira. Estudos indicam que as causas são diversas: aumento da fecundidade, imigração, aumento da expectativa de vida, chegada de pessoas que tiveram seu padrão de vida reduzido e, acreditem, sexo como uma das formas principais de lazer. Esse conjunto de fatores pode levar a população que vive em favelas a atingir preocupantes 13,5 milhões de pessoas nos próximos anos.

Se depois de todos os argumentos acima, algum leitor ainda estiver em dúvida sobre quem tinha razão (Thomas Malthus ou Karl Marx), sugiro uma visita a um bairro maceioense chamado Clima Bom que é um dos mais pobres e violentos da cidade. Fazia muito tempo que eu não via uma quantidade tão grande de crianças pelas ruas, boa parte delas ainda usando fraldas, além de gestantes por toda as partes.

Pelo jeito, Marx tinha razão.


 

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