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Terça-feira, 04 de abril de 2006

 

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 OPINIÃO

A “chinalização” da economia

 

Eduardo Frigoletto de Menezes
 

Foi-se o tempo em que a China fabricava e exportava apenas bugigangas para o Brasil, daquelas que fizeram explodir pelo País as famigeradas lojas de “R$ 1,99”. É verdade que a falta de qualidade e os conseqüentes preços abaixo do mercado ainda existem. É comum encontrarmos produtos chineses como ferramentas, calculadoras, lâmpadas, calçados, guarda-chuvas, varas de pesca, tecidos, etc.

 

Entretanto, essa não é mais a regra atual. A constatação de que algo mudou e continua mudando rapidamente fica mais evidente quando encontramos computadores, máquinas fotográficas digitais e demais equipamentos de informática com a famosa etiqueta “made in China” acoplada a produtos de marcas transnacionais famosas, inclusive japonesas. Crescendo há décadas por volta de 10% ao ano, enquanto o Brasil não passa de 2,1%, aquele país tem metas audaciosas de desenvolvimento. Somente no ano de 2004 investiu cerca de US$ 90,4 bilhões em educação, ficando um pouco abaixo de todo o valor das exportações brasileiras no mesmo período (cerca de US$ 96 bilhões). Enquanto isso, as universidades brasileiras vivem em greve, com professores mal remunerados e promessas de reajuste salarial não cumpridas por parte do governo federal. Os bancos, só no ano passado, faturaram cerca de R$ 31 bilhões só em tarifas. Ao invés de investir em educação e na produção, o País incentiva a especulação. No lugar de metas de desenvolvimento, metas de inflação e de superávit primário. Quanto à China, o percentual de matrículas no ensino superior saltou de 1,4% em 1978 para cerca de 20% em 2005. Só em engenharia, a China está produzindo cerca de 450 mil novos graduados por ano, além de 48 mil mestres e 8 mil doutores. O suplemento Educação do jornal “The Times”, da Grã-Bretanha, publicado em outubro do ano passado, mostra a Universidade de Beijing (o nome atual da capital Pequim) no 15º lugar entre as melhores do mundo e em 1º na Ásia, ultrapassando, pela primeira vez na história, a Universidade de Tóquio, no Japão. Há mais de 3 mil universidades em todo o território chinês, das quais, cerca de dois terços pertencem ao Estado e o restante é privado, onde estudam cerca de 12 milhões de chineses, sem contar as instituições de ensino técnico e profissionalizante, onde se somam mais 20 milhões de alunos. Todo esse salto qualitativo já tirou cerca de 200 milhões de habitantes da pobreza.

Outra frente de atuação é a econômica. O yuan, que é a moeda oficial, está super desvalorizado em relação ao dólar americano (aproximadamente 8,38 yuans valem 1 dólar), enquanto um real vale pouco mais da metade da moeda americana (aproximadamente 2,30 reais por dólar). Sendo assim, os produtos do Dragão Asiático têm preços quatro vezes mais atraentes que os dos similares brasileiros. Não é à toa que aquele país saltou para uma das cinco maiores economias mundiais, podendo até ultrapassar a Alemanha nos próximos anos e se tornar a terceira maior potência econômica mundial. O maior exemplo dessa agressividade foi a compra de parte da gigante americana IBM, mais especificamente na área de produção de computadores pessoais onde, seguindo o modelo sul-coreano, optou pelo lançamento de marca própria ‘Lenovo’, que até 2008 pretende dominar o mercado brasileiro. Enquanto isso, o Pólo Industrial de Manaus se especializou em montar equipamentos importados, ao invés de se tornar um pólo industrial de difusão tecnológica e científica.

Já no aspecto político, é bem verdade que a palavra ‘democracia’ ainda parece distante de sua realidade, mas de que adianta um país se intitular democrata, como o Brasil, se a corrupção é difundida, o corporativismo é escancarado, e boa parte da população apenas subsiste?

 

 

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