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Friedrich Ratzel (1844-1904)

 

Grande parte das vezes, para entendermos um acontecimento da Geografia, temos que recorrer a outras disciplinas. Sendo assim, para entendermos a obra de Friedrich Ratzel, em primeiro lugar temos que nos situar historicamente.

 

Na partilha do mundo, a Alemanha chegou "atrasada" sentindo-se bastante prejudicada. As grandes potências da época, principalmente França e Inglaterra dividido entre si boa parte dos países da África, Ásia, Oceania, e parte da América.

 

No final do século XIX a Alemanha já estava unificada, fortalecida, vivendo sob um governo autoritário. Nesse contexto, Ratzel traria grande contribuição para a formulação esquemática do conhecimento geográfico, com o seu livro Antropogeografia – fundamentos da aplicação da Geografia à História. Ele viajou pela Europa, América do Norte e Central, observando, principalmente a migração, a concentração da população em determinadas áreas da Terra chegando à conclusão de que o homem vivia sujeito às leis da natureza com propagação das idéias deterministas, que consideravam a existência de uma grande influência do meio natural sobre o homem ("O homem seria influenciado pelo meio").

 

Também é importante frisarmos que, nesse caso, também devemos recorrer à Biologia pois devido a sua formação antropológica, Ratzel foi bastante influenciado pela idéias evolucionistas de Charles Darwin com sua obra A evolução das espécies e de Ernst Haeckel, admitindo que na luta pela vida venceriam sempre os mais fortes e que a vitória dos mais fortes, dos mais aptos, sobre os mais fracos era o resultado lógico da luta pela vida.

 

Essas idéias, profundamente comprometidas com o capitalismo da livre-empresa e da concorrência, então dominante, tiveram grande aceitação, levando Ratzel a fazer escola e a propagar suas idéias tanto na Alemanha, onde vivia e ensinava, como nos Estados Unidos, onde seus discípulos se tornaram ainda mais radicais, afirmando que "O homem é produto do meio".

 

Conforme cita Manuel Correia de Andrade em sua obra Geografia Econômica, "Da idéia da vitória dos mais fortes foi fácil passar à idéia da influência das condições naturais sobre o desenvolvimento do homem e da explicação do maior desenvolvimento dos povos brancos que viviam na Europa, sob condições climáticas favoráveis, sobre os povos que viviam nos trópicos e que não haviam desenvolvido em face do fato de não disporem de um clima com estações do ano bem-definidas. Daí a idéia da existência de uma raça superior e do "direito" que teria esta raça de "dominar, para civilizar" as raças inferiores, incapazes de gerir os seus próprios destinos.

 

Daí também o princípio de que a raça superior tinha o direito a conquistar o seu "espaço vital", dominando os países, vizinhos ou não, habitados por seres inferiores e de que nos trópicos não havia condições para a formação e para o surgimento de civilizações, justificando o imperialismo e o colonialismo.

 

Essa tendência levou o geógrafo a uma preocupação maior com os "gêneros de vida" dominantes nas sociedades de baixos níveis técnicos, dependentes do meio natural e não a uma preocupação com os problemas das classes sociais, bem definidos em seus antagonismos, nas sociedades industriais e para-industriais. As idéias de Ratzel levaram ainda os geógrafos a se preocuparem com os problemas de povo, raça, estado, localização dos estados em relação aos oceanos e mares, conduzindo-os à Geografia Política e fornecendo as bases para o surgimento de Geopolítica, com a contribuição de Kjellen."

 

Texto elaborado por Eduardo Frigoletto de Menezes

 

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