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Introdução ao estudo da evolução demográfica dos municípios das regiões metropolitanas brasileiras

 

Desde o advento da Revolução Industrial que o panorama da distribuição populacional veio se alterando gradualmente no sentido da concentração urbana. A divisão do trabalho e o conseqüente aumento da produtividade propiciaram os meios para a sobrevivência de crescentes contingentes populacionais nas cidades. Nas primeiras décadas deste século as grandes aglomerações eram concebidas como expressão de poder, de centros irradiadores de desenvolvimento, sendo consideradas como verdadeiras ilhas de prosperidade. Mais recentemente, com o desenvolvimento das comunicações, o processo de concentração populacional nas principais cidades se desencadeou por todo o mundo, dando origem, em muitos países, a grandes áreas urbanas, que receberam a denominação de regiões metropolitanas. Mais recentemente, as áreas de maior expressão passaram a constituir as chamadas megacidades. As regiões metropolitanas tiveram reforçado o seu papel de principais focos da atividade econômica, em razão das economias de aglomeração (escala e localização), visto que o crescimento econômico tem melhores perspectivas de se tornar autopropulsor nas cidades maiores. Entretanto, na grande maioria dos países em desenvolvimento, em razão da velocidade do crescimento demográfico, tornaram-se símbolos de um gigantismo doentio, de vez que não pôde ser garantido o mesmo ritmo de crescimento na oferta de empregos e de serviços públicos. O papel desempenhado pelas migrações tem sido de fundamental importância no processo de crescimento demográfico das grandes cidades e, principalmente, das regiões metropolitanas. Perguntados a respeito da influência da migração no crescimento das cidades, 87,2% dos atuais Prefeitos municipais afirmaram existir um forte processo migratório em direção às suas cidades. E um fato ficou flagrante: quanto maior o grau de pobreza das áreas de origem ou menor a atenção dada a essas áreas pelas autoridades, mais intenso e contínuo o caudal humano que se desloca em direção às grandes cidades.

 

Em todas as partes os mesmos problemas estrangulam rapidamente as regiões metropolitanas. A qualidade de vida mostra-se em alarmante processo de deterioração devido à pressão exercida pelo excesso de habitantes sobre os serviços urbanos: registra-se uma expressiva carência tanto nos serviços de infra-estrutura urbana quanto nos serviços sociais. Além destes problemas, a situação se agrava com a constatação de um expressivo déficit habitacional, que se expressa no meio urbano através da ocupação irregular de grandes parcelas do território das cidades, provocando danos de toda ordem ao meio ambiente. O subemprego, o desemprego e o aumento da criminalidade são outros tipos de problemas enfrentados pelas regiões metropolitanas. Com vistas à definição de políticas que possam vir a atenuar toda esta gama de problemas, os técnicos divergem: alguns ainda são adeptos da concentração metropolitana, tomando como justificativa a impossibilidade ou grande dificuldade de dispersar os poucos recursos disponíveis; outros preferem direcionar parte considerável dos investimentos públicos para as cidades de porte médio e as principais aglomerações urbanas, alegando uma vantagem relativa nos dispêndios necessários. Um fato ao menos é incontestável: concentrar investimentos públicos nas regiões metropolitanas implica em estímulo ao seu crescimento, conduzindo-as a um pernicioso gigantismo, onde as dificuldades multiplicam-se e a própria vida vai se tornando insuportável. E por mais paradoxal que possa parecer, o setor privado não consegue contribuir na mesma escala para a minimização de um dos problemas mais sérios e imediatos: a oferta de empregos, pois, à exceção principalmente de parte dos empregos na construção civil, a indústria e o comércio necessitam de pessoal mais qualificado, em contraste com a grande disponibilidade de mão-de-obra apenas braçal e pouco qualificada que chega em quantidade crescente às regiões metropolitanas.

 

Referência Bibliográfica

 

ot14.gif (148 bytes) Menu Geo Urbanização

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