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O desafio de evitarmos o "Não Lugar" e o "Turismo Virtual"

 

Imaginemos a seguinte cena: um turista se preparando para realizar uma viagem a um outro país, carregando consigo seus sonhos, ansioso por conhecer diferentes costumes, línguas, paisagens etc, após ter se planejado durante todo um ano.

 

Ao chegar no tal país, ele verifica que o Resort em que se hospedou é semelhante ao que existe no seu país de origem, com a mesma arquitetura e a mesma organização interna, os funcionários trajando a mesma farda padrão do grupo hoteleiro que é mundial.

 

Dirige-se ao seu quarto, liga a televisão e, surpresa! os canais são os mesmos da TV a cabo que está tão acostumado a ver todos os dias em seu país.

 

Resolve então, dirigir-se ao restaurante do referido Resort e constata que os pratos oferecidos no cardápio não são os típicos do país que está visitando, ou pior ainda, aqueles tão surrados "Mac alguma coisa".

 

Decepcionado com tudo o que viu até agora, resolve dar uma "voltinha" pelas ruas do tal país. Ao olhar para os carros assusta-se: são todos exatamente iguais aos do seu país; as mesmas marcas, modelos, cores e tudo mais. As pessoas vestem as mesmas marcas e os mesmas modas. As ruas são igualmente insanas (barulhentas, cheias de gente passando apressadamente, carros businando, lixo pelo chão etc).

 

De sorte, as paisagens naturais ainda guardam alguma coisa de natural como a cor do mar e os coqueiros.

 

 

Que terror!

 

A pequena história acima é só para ilustrar a difícil missão que é a realização do Turismo sem deixar que o Lugar perca seu diferencial, sua personalidade, o "diferente".

 

Na realidade, o país hipotético da história é um "Não-Lugar" pois em momento algum tem personalidade própria, ao contrário, nega as características do próprio lugar.

 

Visitando-se um país desses, estaríamos praticando "Turismo-Virtual" pois se tivéssemos ficado em nosso próprio país, veríamos exatamente as mesmas coisas. Para que gastar tempo e dinheiro então?

 

Esse é o grande desafio, praticar a atividade Turística sem deixar que o Capitalismo através da Globalização destrua a personalidade do Lugar, consultando as comunidades nativas sobre suas expectativas, melhorando a distribuição de sua renda, enfim, praticando Desenvolvimento Sustentável.

 

Professor Eduardo Frigoletto de Menezes

 

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