Argentina tenta salvar reputação de sua carne

BUENOS AIRES (Reuters) - A viagem de promoção comercial programada pelo governo argentino para o Canadá, Japão e para a China pode servir apenas para controlar as perdas causadas pela febre aftosa que está afetando o gado do país.

Participarão das visitas, que acontecem de 8 a 14 de setembro, o presidente Fernando De la Rúa e 120 empresários.

"Acho que eles vão gastar mais tempo acalmando aqueles mercados sobre a febre aftosa, porque não ficaria surpreso se a proibição de nossa exportação for ampliada", disse Ricardo Baccarin, da empresa Panagricola Safici.

A Argentina proibiu a exportação de carne por 45 dias, a partir do dia 10 de agosto, para os Estados Unidos, Canadá, América Central, Caribe e Venezuela, depois que foram encontrados anticorpos da febre aftosa em gado paraguaio em solo argentino.

Na Austrália, o medo da doença poderia levar à proibição de compra de carne da América do Sul por pelo menos um ano. Nos Estados Unidos, o departamento de agricultura proibiu temporariamente as importações da Argentina. A decisão vale pelo menos até setembro.

O Escritório Internacional de Epizootia (doenças de animais, contagiosas ou não), com sede em Paris, declarou a Argentina livre da febre aftosa no mês de maio, mas está revendo o status do país.

Na quinta-feira, o Brasil anunciou que 28 animais na fronteira com a Argentina e o Uruguai haviam sido infectados com a doença.

A Argentina é o quarto maior exportador de carne do mundo e o oitavo maior produtor de alimentos. A agricultura representa 60 por cento dos 23 bilhões de dólares que o país exportou no ano passado, e 20 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

No ano passado, as exportações de carne da Argentina somaram 828,6 milhões de dólares, sendo 28,6 milhões para o Canadá.


26/08/2000

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