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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2000

ONU quer ajuda dos homens para melhorar situação da mulher

Lindsay Griffths

Reuters

 

Segundo relatório da Organização das Nações Unidas divulgado em setembro de 2000, as mulheres do mundo estão em piores condições que os homens, seja por abuso físico, padrões duplos ou discriminação, No relatório anual, o Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA) informou que estupro, abuso e leis inadequadas são apenas algumas das barreiras que oprimem as mulheres, não existindo nenhum país onde elas estejam livres desses problemas.

 

Conforme o documento, pelo menos uma em cada três mulheres é espancada, estuprada, coagida para sexo ou abusada de alguma forma, normalmente por alguém que conhece.

 

No que se refere à contracepção no Japão ou à educação no Paquistão, as mulheres permanecem como cidadãs de segunda categoria no mundo.

 

"A discriminação e a violência contra mulheres e meninas permanecem firmemente enraizadas em culturas em todo o mundo e me faz mal ter que justificar porque meninas devem ser educadas. São metade da população do mundo, é um direito delas", disse a diretora-executiva do UNFPA, Nafis Sadik.

 

Para Sadik, atacar os homens é a opção mais fácil mas a solução moderna para um velho problema seria cooptar a outra metade para uma luta global por igualdade.

 

"A retórica contra os homens é fácil, mas também temos de encontrar uma forma de trabalhar com eles. Eles também precisam de ajuda", disse Sadik.

 

Não tanto quanto as mulheres. Segundo o relatório anual sobre população, "Vidas Juntas, Mundos Separados", desde cuidados médicos até direitos humanos são negligenciados quando se trata de mulheres.

 

A CADA MINUTO, MORRE UMA MULHER GRÁVIDA

 

Conforme o relatório, uma mulher morre a cada minuto por complicações no parto e gravidez e, nos Estados Unidos, uma mulher é agredida fisicamente a cada 15 segundos.

 

As doenças sexualmente transmissíveis afetam cinco vezes mais mulheres que homens, com uma estimativa de 333 milhões de novos casos por ano.

 

O documento também informa que, pelo menos, 60 milhões de meninas não nascem em consequência de abortos sexuais seletivos, negligência e infanticídio.

 

Pelos menos 130 milhões de mulheres têm sido forçadas a se submeterem a mutilações ou cortes genitais, enquanto milhares de mulheres jovens morrem em assassinatos por questões de "honra"a cada ano.

 

Para completar, 2 milhões de meninas entre 5 e 15 anos de idade entram no mercado do sexo a cada ano.

 

Contudo, para Sadik, as coisas estão melhorando. "Por muito tempo, os governos pagaram serviços não realizados mas houve um tremendo progresso.

 

Agora, todos os governos aceitam a importância de fazer com que as mulheres tenham garantias de todos os aspectos da vida e muito está acontecendo", disse ela.

 

"É apenas um começo. Precisa entrar lentamente na consciência individual e não acontece da noite para o dia", resumiu Sadik.

 

Segundo Sadik, regiões da África são os piores lugares para uma pessoa nascer mulher. "Acho que o pior lugar é o sudeste Africano. Fiquei quase aterrorizada com a forma que as mulheres foram tratadas. Odiaria ser uma menina no norte da Nigéria", declarou.

 

Sadik lembrou que no Japão, as mulheres não tiveram acesso a pílulas anticoncepcionais por 30 anos, enquanto os homens esperaram apenas quatro meses para que o uso do Viagra fosse aprovado no país.

"Em todo o mundo, exceto talvez nos países nórdicos, as mulheres continuam ganhando menos para fazer o mesmo trabalho e existem poucas mulheres em posições de autoridade", disse ela.

 

"O status de segunda classe da mulher representa um custo social e econômico não apenas para as mulheres. Os homens e a sociedade em geral também estão pagando esse preço", resumiu Sadik.

 

 

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