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O negro

 

Capturados na África, os primeiros negros escravizados chegaram ao Brasil na primeira metade do século XVI, possivelmente em 1532. No continente americano, a chegada dos primeiros negros africanos escravizados data de 1502, em São Domingos, nas Antilhas.

 

A vinda forçada dos negros para o Brasil é explicada pelos lucros decorrentes do seu tráfico e pela necessidade de se explorar a sua força de trabalho na nascente economia canavieira.

 

Por vários séculos, desde o ciclo da cana-de-açúcar (séculos XVI e XVII) até o ciclo do café (séculos XIX e XX), o negro foi o braço sustentador da economia brasileira, estando presente em todas as atividades econômicas fundamentais do país:

  • Na agroindústria açucareira do nordeste, iniciada no século XVI.

  • Na atividade mineradora nos séculos XVII e XVIII em Minas Gerais e na Região Centro-Oeste.

  • Na lavoura algodoeira nos séculos XVII e XVIII no maranhão.

  • Na cultura cafeeira no século XIX na região Sudeste (Rio de janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo) e na atividade industrial.

Para se dar uma idéia da importância da mão-de-obra escrava para a economia brasileira, basta dizer que, entre 1820 e 1860, o Brasil recebeu 1.200.000 negros escravizados, mais que o dobro da quantidade recebida por toda a América espanhola no mesmo período.

 

O tráfico negreiro e as áreas de procedência

 

Capturados através de raptos, guerras ou simplesmente comprados ou trocados por mercadorias. Os negros eram em seguida transportados da África para o Brasil nos porões dos navios negreiros. Aí eram amontoados, mal-alimentados, sofriam castigos e eram mantidos em completa promiscuidade. Muitos morriam na viagem.

 

Chegando ao Brasil eram vendidos a preços que variavam de acordo com o sexo, a idade, a procedência etc.

 

Com relação à quantidade de escravos que entraram no Brasil, 3,5 a 4 milhões é a cifra mais aceita pelos estudiosos. Quanto às áreas de origem, dois grupos se destacam : Os sudaneses e os bantos.

 

Sudaneses. Provenientes de regiões próximas ao Golfo da Guiné (África ocidental), que correspondem atualmente a países como Guiné, Costa do Marfim, Burkina, Gana, Togo, Benin e Nigéria.

 

Os sudaneses são descritos como mais altos e corpulentos que os bantos e de nível cultural mais elevado. Desembarcaram principalmente em Salvador, sendo que posteriormente muitos foram levados para trabalhar na extração do ouro em Minas Gerais. Os sudaneses são divididos em dois grupos:

  • Haúças, mandingas e fulas (islamizados);

  • Iorubas, nagôs, jejes e fanti-achantis (não islamizados).

Bantos. Provenientes de Angola, do Congo e de Moçambique, são descritos como mais atrasados culturalmente e de feições mais rudes. Os principais portos de desembarque foram Recife, São Luís e Rio de Janeiro.

 

Maioria da população até por volta do início do século XIX, em 1890, dois anos após a Abolição da Escravidão, os negros estavam reduzidos a menos de 15% da população total do país. Para isso contribuíram principalmente, a proibição do tráfico negreiro, a miscigenação, a elevada mortalidade dos negros e a imigração européia. Em 1988, no centenário da Abolição, os negros não ultrapassavam 5% da população do país.

 

Se a proporção de negros na população total do país diminuiu de forma assustadora, a discriminação contra os negros em nada se modificou.

 

A discriminação não é apenas uma questão de cor. É, também, uma questão de qualidade de vida.

 

"O negro quando nasce tem 30% a mais de chances que o branco de morrer antes de completar 5 anos de idade. Quando cresce, tem o dobro de chances (de um branco) de sair da escola sem aprender a ler nem escrever. Quando morre, chegou ao fim uma vida cuja expectativa, ao nascer, era de apenas 50 anos. Se fosse branco, a expectativa de vida seria de 63 anos." (Revista Veja, 11-5-1988, p.22.).

 

Decorridos mais de cem anos desde a Abolição, e quase quinhentos anos desde a chegada do negro, o que se verifica de fato, hoje, no Brasil é a existência de duas cidadanias: a branca e a negra.

Essa é a dura realidade que nem mesma a tão propalada ideologia da "democracia racial" conseguiu esconder. Essa ideologia admite existir convivência harmoniosa entre brancos e não-brancos no Brasil.

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