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Terça-feira, 29 de Janeiro de 2002

Brasil melhora indicadores sociais mas mantém diferenças raciais

da Folha de S.Paulo, em Brasília

Apesar da melhoria dos indicadores sociais no Brasil na última década, a desigualdade entre brancos e negros se mantém. Esse é o resultado de um estudo sobre desigualdade racional feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) e entregue hoje ao Ministério da Justiça.

De acordo com o estudo, dos 53 milhões de pobres brasileiros, 63% são negros e 37%, brancos. Dos 22 milhões de habitantes que estão abaixo da linha da pobreza, 70% são negros. O último Censo do IBGE, de 2000, mostrava que 45% da população brasileira era formada por pretos e pardos, segundo a terminologia do Instituto.

Os descendentes de negros (pretos e pardos, na terminologia do censo do IBGE) representam 45% da população do país, são 69% dos indigentes _ ou seja, são mais de dois terços de todos aqueles que não ganham o suficiente para pelo menos se alimentar.


Na faixa etária de 0 a 6 anos, entre as crianças brancas, 38% são pobres. Mas quando se trata de crianças negras, 65% são pobres. Entre os brancos na faixa etária entre os 7 e 14 anos, 33% são pobres, e entre os negros 61% estão nessa condição. Dos 15 aos 24 anos, a diferença é mais que o dobro _22% dos brancos e 47% dos negros são pobres.

Em relação à escolaridade, a média de estudo dos adultos brancos é de 6,6 anos, enquanto os negros adultos têm em média 4,4 anos de estudo. A diferença, que é hoje de mais de dois anos, é praticamente a mesma do início do século passado.

De acordo com Ricardo Henriques, responsável pela pesquisa, em 13 anos os brancos devem alcançar a média de oito anos de estudo, o que representa a conclusão do ensino fundamental. Os negros só atingirão essa meta em 32 anos.

Para Henriques, apesar do avanço nos índices sociais, a desigualdade entre negros e brancos permaneceu inalterada. "Os dados mostram que as políticas públicas não podem mais ser universais e devem tratar os grupos excluídos de maneira diferente", disse o pesquisador.

Para Henriques, tratar todos de forma igual "é uma ação cínica". Segundo ele, a solução seria a adoção de ações afirmativas na universidade, por meio de cotas, e no ensino básico, ampliando o acesso.

De acordo com Ivair Augusto dos Santos, assessor especial da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, os dados da pesquisa mostram que o governo deveria rever sua política social, priorizando os grupos excluídos.

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