Home | Glossário | Fale conosco  

  

 
Sábado, 26 de fevereiro de 2005
 
Opinião
Kyoto finalmente entrou em vigor. E daí?

Eduardo Frigoletto

Em 1997, representantes de dezenas de países se reuniram na cidade japonesa de Kyoto com a finalidade de redigir um acordo que estipulasse metas para redução da emissão de seis gases que, os cientistas acreditam, estão causando o aquecimento anormal no Planeta.

Como resultado da reunião que ficou conhecida como “Protocolo de Kyoto”, foi estabelecido que os países signatários deveriam reduzir em 5,2% as emissões desses gases, sob pena de sofrerem punições. O prazo para redução vai de 2008 até o ano de 2012 e, é calculado em relação aos níveis de 1990.

A equação para que o tratado entrasse em vigor e virasse lei era simples: O pacto precisava ser ratificado por no mínimo 55 nações desenvolvidas e que fossem responsáveis, juntas, por 55% das emissões globais.

O grande entrave desde o princípio foi a posição contrária dos Estados Unidos que julgaram o documento nocivo aos interesses da sua economia apesar de ser o maior emissor mundial com cerca de 36,1%.

Outra crítica feita por eles foi a de que o protocolo não estabeleceu metas de redução para os países em desenvolvimento, como é o caso do Brasil. Essa crítica merece atenção, já que vários países estão se industrializando rapidamente e aumentando muito o seu potencial poluidor como é o caso da China (2º maior poluidor mundial), a Índia e o próprio Brasil que já está sendo apontado como o 6º país que mais emite gás carbônico no mundo, por conta das queimadas na Amazônia.

Vários outros países acompanharam a posição contrária dos EUA, entre eles a Austrália que é outro país muito industrializado e a Rússia que é o 3º maior emissor com cerca de 17%.

A soma dos 36,1% dos EUA com os 17% da Rússia totalizava 53,1% o que impossibilitava a entrada em vigor do acordo. Os países que quisessem poderiam fazê-lo por conta própria, à margem do documento.

A Rússia dizia que, caso ratificasse o acordo, sofreria redução em sua economia. Entretanto, estava consciente do valor de seu posicionamento. O presidente Vladimir Putin passou alguns anos acenando aos EUA com a possibilidade de integrar o bloco contrário ao tratado, buscando obter vantagens políticas e econômicas dos americanos. De outro lado, acenava aos europeus com a ratificação caso recebesse o apoio para ingressar na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Em novembro de 2004, finalmente o governo russo decidiu assinar o documento, após ganhar da União Européia o apoio desejado. Como o prazo para entrada em vigor do tratado era de 90 dias após a quantidade mínima de ratificações, no último dia 16 o protocolo entrou em vigor. Em relação ao Brasil, um dos pontos mais importantes é o da criação de uma moeda virtual: o crédito carbono. A quantidade de gases que deixar de ser emitida num determinado projeto ambiental pode ser vendida a um país que não esteja conseguindo atingir sua meta. Para se ter uma idéia, só com o reflorestamento das áreas devastadas da Amazônia o que faria aumentar a absorção do dióxido de carbono, o país arrecadaria milhões de dólares.

Aqui em Alagoas, algumas usinas de açúcar ao invés de jogar fora o bagaço da cana, estão utilizando-o como matéria-prima na produção de eletricidade. Também a utilização do álcool como energia renovável gera créditos carbono.
Até mesmo Maceió poderia se beneficiar dessa moeda virtual, promovendo a transformação do seu lixão em aterro sanitário, canalizando o gás metano que é 21 vezes mais poluente que o gás carbono e hoje é liberado diretamente para a atmosfera, transformando-o em eletricidade que poderia ser distribuída gratuitamente para a população mais carente. Essa ação resolveria sérios problemas ambientais ao mesmo tempo em que ainda geraria recursos para a prefeitura com a venda do crédito carbono aos países que necessitam.

 

ot14.gif (148 bytes) Menu Principal

Frigoletto.com.br - A geografia em primeiro lugar

Copyright © 2000 - 2004 Eduardo Frigoletto de Menezes. All Rights Reserved